Plano de turismo em Terra Indígena Katukina deve beneficiar economia de Cruzeiro do Sul



O prefeito em exercício, Henrique Afonso, reuniu-se na manhã desta sexta-feira, 01, com lideranças da Terra Indígena Katukina do rio Campinas, para a conclusão e apresentação do planejamento estratégico do povo indígena Katukina. Um dos destaques foi o interesse dos indígenas em desenvolver um plano de ação na área de turismo.

Discutir a elaboração de um plano de turismo para a única terra indígena situada na área do município de Cruzeiro do Sul é uma das prioridades da atual gestão, segundo a Secretaria de Turismo e Empreendorismo.

“Vejo como importante a prefeitura ajudar a trabalhar nesse plano e ação de desenvolvimento do turismo, juntamente com os parceiros do estado, a Funai. O turismo dá dinheiro, gera emprego e renda, mas as etnias precisam se preparar para isso, como temos visto os Yawanawá, Ashaninka", disse o prefeito em exercício.

Muitas das terras indígenas do Acre têm assistido a um aumento exponencial da chegada de visitantes de outros estados e mesmo outros países. A chamada rota etnoturística, ou seja, voltada à visitação às aldeias, foi a principal responsável pelo aumento do turismo no Acre como um todo, que passou a ser um destino considerado de muitos brasileiros e estrangeiros.

Parte desse interesse crescente deve-se sobretudo à realização dos festivais culturais, em que os povos indígenas oferecem jogos e brincadeiras culturais, apresentações de danças tradicionais, pintura corporal, culinária típica e uma amostra de sua espiritualidade para os visitantes.

O sucesso do povo Yawanawá na realização dos festivais e no recebimento de grupos menores, como os Ashaninka, têm motivado outros povos a realizarem também, uma vez que todos possuem suas tradições culturais. Tem sido o caso de diferentes aldeias do povo Huni Kuin (kaxinauá) e dos Puyanawa, em Mâncio Lima. Com um calendário de atividades que ocupa praticamente o ano inteiro, o município de Cruzeiro do Sul tem sido o mais beneficiado com esse afluxo de turistas, que chegam pelo aeroporto e se dirigem às aldeias.

Hotéis, transportes, restaurantes e bares, além do comércio em geral, de farmácias a lojas de roupas e calçados, recebem um movimento importante dos turistas.

Os Noke Koi, autodenominação dos conhecidos Katukina, também vem assistindo a um crescente aumento de visitantes nas suas aldeias. O interesse em conhecer suas medicinas ancestrais - como o kambô ou vacina do sapo - em participar dos festivais e celebrar a espiritualidade da floresta.

As aldeias, contudo, ainda não dispõe de uma estrutura adequada para receberem os turistas

“Temos recebido muitos turistas, mas faltam recursos para melhorar a infra-estrutura. É hora de fazer uma parceria, porque quando o turista chega na terra indígena todos ganham: ganha a aldeia, mas ganham também o hotel, os mercados, taxistas, todos estão ganhando. Melhorando nosso espaço, esse dinheiro vem para o município. Estamos ajudando o município e precisamos dessa ajuda para melhorar a estrutura para receber os visitantes na aldeia”, explicou Adriano Katukina, liderança do povo Noke Koi e articulador.




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